segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

A covardia

- Covarde! Covardia!

Alguém é covarde quando nele falta coragem ou sobra soberba. Ser chamado de covarde é no mínimo ruim, e chamar alguém assim pode ser algo pesado para quem escuta.

Mas se o covarde tem medo, ele tem medo do quê? Já se sentiu covarde diante de uma situação inesperada? O medo é capaz de te paralisar? Jesus já teve medo?

Vamos pensar um pouco!
Covardia. Ausência de bravura, fuga, medo que paralisa. Agressão a quem não é capaz de se defender. Não tentar, não buscar, não ser capaz. Falta de atitude.

Esta palavra pode te parecer pesada para uma reflexão, ao primeiro olhar. Isso acontece porque somos humanos e não gostamos de ser confrontados, e isso aumenta nos últimos tempos, principalmente nas redes sociais. Queremos ver coisas interessantes e bonitas o tempo todo e quando algo diferente aparece, oooops, queremos evitar isso a todo custo!

E é assim, em atitudes simples como fechar os olhos, que permitimos que tantas coisas ruins aconteçam no mundo. Sobretudo em nosso país, neste momento de instabilidade política em que não sabemos em quem podemos confiar.
É errado quem comete o crime. É errado quem omite e se omite também. Nos sentimos assim, quebrados, perdidos, sozinhos, covardes. Logo, algo que era distante se torna parte de nós. Compreende agora?

Em momentos como esse onde faltam referências, nós, cristãos católicos, recorremos aos documentos oficiais da Igreja e à Bíblia Sagrada. Voltemos aos momentos finais da crucificação de Cristo, minutos antes de sua morte, para dar um passo adiante.

Por cima de sua cabeça penduraram um escrito trazendo o motivo de sua crucificação: Este é Jesus, o rei dos judeus. Ao mesmo tempo foram crucificados com ele dois ladrões, um à sua direita e outro à sua esquerda. Os que passavam o injuriavam, sacudiam a cabeça e diziam: "Tu, que destróis o templo e o reconstróis em três dias, salva-te a ti mesmo! Se és o Filho de Deus, desce da cruz!". Os príncipes dos sacerdotes, os escribas e os anciãos também zombavam dele: "Ele salvou a outros e não pode salvar-se a si mesmo! Se é rei de Israel, desça agora da cruz e nós creremos nele! Confiou em Deus, Deus o livre agora, se o ama, porque ele disse: Eu sou o Filho de Deus!". E os ladrões, crucificados com ele, também o ultrajavam. Desde a hora sexta até a nona, cobriu-se toda a terra de trevas. Próximo da hora nona, Jesus exclamou em voz forte: "Eli, Eli, lammá sabactáni?" - o que quer dizer: "Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?". A estas palavras, alguns dos que lá estavam diziam: "Ele chama por Elias". Imediatamente um deles tomou uma esponja, embebeu-a em vinagre e apresentou-lha na ponta de uma vara para que bebesse. Os outros diziam: "Deixa! Vejamos se Elias virá socorrê-lo." Jesus de novo lançou um grande brado, e entregou a alma. E eis que o véu do templo se rasgou em duas partes de alto a baixo, a terra tremeu, fenderam-se as rochas.

(Mateus 27, 36-50)
Quem observa esta cena e escuta essa história, é convidado a pensar que Jesus foi covarde ao perguntar, aos gritos, se o Pai havia lhe abandonado. Mas olhando mais de perto, percebemos que ali Cristo tomou uma decisão. Ninguém poderia colocar estas palavras na boca d'Ele, mas Ele assim o fez. Por quê?

A resposta não é simples: aqui, Jesus nos ensina a fazer a escolha pelo Amor. Se todos zombavam d'Ele, dizendo que Deus havia lhe abandonado, Jesus usou as mesmas palavras para provar o contrário. Não foi nada covarde sua atitude.

Cristo se fez homem para nos ensinar a escolher pelo Amor. Não se sentir sozinho é essencial para deixar a covardia de lado e abrir espaço a uma fé inquieta.
Fabrício Carpinejar, poeta e escritor brasileiro, traduz em uma frase este pensamento: "a covardia é um medo sozinho, o amor é um medo a dois". Quem já se sentiu sozinho, ao menos por uma vez, entende o que o poeta quer dizer. E quem já conheceu a Cristo entende também que se sentir assim é uma opção.

Afinal, quem escolheu Jesus como amigo e permite que Ele seja também amigo de suas misérias tem como única resposta o amor mais verdadeiro. Mas Deus nos deu o livre arbítrio quando nos criou, tornando o amor em uma decisão.

Permita que Ele esteja ao seu lado e não mais fique paralisado diante das tempestades da vida.




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