sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Antes ele do que eu?

Morreu, o nosso amor morreu
Mas cá pra nós, antes ele do que eu
Morreu, o nosso amor morreu
Mas cá pra nós, antes ele do que eu

Nosso amor não resistiu
Ao ascédios da traição
Lá um dia ele ruiu
Mas deixou uma lição
Que as pessoas tem seus preços
Tabelados por seus atos
Para mim você foi Judas
Pra você eu fui Pilatos
(Beth Carvalho - Antes ele do que eu)

Quando a sambista lançou esta canção em 1976, talvez não imaginasse que se tornasse tão atual quarenta anos depois, em nosso tempo. Ou nada mudou de lá para cá? Na verdade, isso não importa. Antes ele do que eu!!

O que importa é que vivemos segundo essa lógica, mesmo sem perceber, nos acontecimentos mais comuns do nosso cotidiano. Já pensou nisso? Já usou esta citação antes? Onde isso interfere em nossas atitudes como cristãos?
O brasileiro e seu "jeitinho". Somos acostumados a tentar tirar vantagem de tudo e de todos, não importa a situação. A fila furada, o troco não devolvido, a identidade falsificada, o atestado médico acompanhado de folga no trabalho e tantos outros exemplos são prova disso.

Quem se arriscar a perguntar a um brasileiro sobre isso, poderá receber como resposta "imagina, não prejudico ninguém com isso, não tem nada de mais". Mas, será suficiente não querer o mal do outro ou é preciso querer o bem?

Hmm, acho que aqui nosso calo começa a apertar!

Sócrates dizia que se o desonesto soubesse a vantagem de ser honesto, ele seria honesto ao menos por desonestidade. Não sei se iria tão longe. Mas acredito que ao não desejar o mal, podemos nos esquecer de desejar o bem e fazer algo por isso.

Nossa inércia começa no momento em que perdemos a capacidade de dar um "jeitinho" na vida do outro também. E aqui, não falo de pequenas transgressões como antes. Mas de sair do sofá e ir além do narcisismo.
Nosso Papa Francisco convidou nossa juventude católica a não confundir felicidade com um sofá. Que ousadia uma atitude como essa em tempos como o nosso, de tanto conforto e liquidações imperdíveis!

Nossa Igreja é missionária. A vida de Jesus e dos santos está aí para nos dar prova disso. E se pensar em prejudicar o outro para se ver bem ainda faz parte de nosso cardápio, podemos pagar o preço pela fartura ao nos tornarmos presos a nossas próprias vontades.

Fomos criados livres e assim devemos permanecer. Mas para isso, é preciso deixar o jeitinho de lado. Antes que seja tarde.

Um comentário:

  1. O jeitinho brasileiro não faz parte da vida do verdadeiro cristão

    ResponderExcluir